Bíblia Sagrada Livreby Jair Lima

Sabedoria 12

1 Ó quão bom e suave é, Senhor, em tudo o teu espírito!

2 E por isso é que tu castigas pouco a pouco aos que se desencaminham: E os advertes das faltas que cometem, e os instruis: Para que, deixada a malícia, creiam em ti, Senhor.

3 Porquanto àqueles antigos habitadores da tua terra santa, aos que tiveste em horror,

4 porque faziam obras, que te eram abomináveis pelos seus malefícios, e sacrifícios ímpios,

5 sendo até desapiedados matadores de seus próprios filhos, e chegando a comer as entranhas dos homens, e a lhes tragar o sangue, no meio da vossa terra sagrada,

6 e aos pais autores da morte de almas não socorridas tu quiseste destruir pelas mãos de nossos pais,

7 a fim de que esta terra, que é de ti a mais querida de todas, recebesse uma colônia digna de filhos de Deus.

8 Mas ainda a estes perdoaste como a homens, e lhes enviaste as vespas como uns batedores do teu exército, para que elas pouco a pouco os exterminassem.

9 Não porque tu não pudesses sujeitar pela guerra os ímpios aos justos, ou destrui-los duma vez pelos animais cruéis, ou com uma palavra desabrida:

10 Mas exercitando sobre eles o teu juízo por degraus, tu lhes davas lugar de fazer penitência, ainda que não ignoravas que a sua nação é malvada, e que a malícia lhes é natural, e que o seu pensamento nunca jamais se podia mudar.

11 Porque a sua raça era maldita desde o princípio: Nem era por temor de alguém que tu lhes perdoavas assim os seus pecados.

12 Porquanto quem te dirá a ti: Que tens tu feito? ou quem se levantará contra o teu juízo? ou quem se porá na tua presença feito defensor de homens iníquos? ou quem te fará cargo, se perecerem as nações, que tu fizeste?

13 Porque não há outro Deus senão tu, que de todas as coisas tens cuidado, para mostrares que não exercitas injustamente o teu juízo.

14 Nem rei, nem tirano pedirá na tua presença conta daqueles que destruíste.

15 Entretanto como tu és justo, todas as coisas governas justamente: E julgas por uma coisa alheia do teu poder, condenar ao que não merece ser punido.

16 Porque o teu poder é o princípio da justiça: E por isso mesmo que és Senhor de tudo, te fazes indulgente com todos.

17 Porque tu mostras o teu poder, quando se não crê que és absoluto no mesmo poder, e confundes a audácia dos que te não reconhecem.

18 E tu, Dominador poderoso, julga com tranquilidade, e nos governas com grande reserva: Porque tens debaixo da tua mão o poder, quando quiseres.

19 Ensinaste pois ao teu povo por meio de tais obras, que importa ser justo e humano, e fizeste conceber a teus filhos boa esperança: Porque julgando tu, dás lugar nos pecados à penitência.

20 Porque se aos inimigos de teus servos, e réus de morte, puniste com tanta circunspecção, dando-lhes tempo e lugar, em que se pudessem apartar da malícia,

21 com quanto resguardo não julgaste tu a teus filhos, a cujos pais fizeste boas promessas com juramentos e alianças?

22 Quando, pois, nos fazes padecer algum castigo, tu açoitas os nossos inimigos, por diferentes maneiras, para que atentos pensemos na tua bondade: E quando somos julgados, esperemos na tua misericórdia.

23 Por onde até àqueles, que na sua vida se portaram como insensatos e injustos, fizeste sofrer os mais horríveis tormentos por meio daquelas coisas, que adoraram.

24 Porque no caminho do erro andaram largo tempo vagabundos, tendo por deuses aqueles que entre os animais são inúteis, vivendo à maneira de meninos insensatos.

25 Por isso como a crianças insensatas lhes deste um castigo por zombaria.

26 Mas os que se não emendaram com estes ludíbrios e increpações, experimentaram um juízo digno de Deus.

27 Porque vendo-se exterminar pelas mesmas coisas de que se indignavam, sofrendo-as por meio das que eles tinham por deuses, reconheceram por verdadeiro Deus aquele a quem noutro tempo afirmavam que não conheciam: Por isso é que veio sobre eles o remate da sua condenação.

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