Bíblia Sagrada Livreby Jair Lima

Eclesiástico 20

1 Quanto melhor é arguir a um homem, e não atalhar no discurso ao que vai confessando a própria falta, do que manter no peito a sua ira!

2 A concupiscência do eunuco deflorará a donzelinha:

3 Assim o que exercita com violência um juízo iníquo.

4 Que boa coisa é que o corrigido manifeste o seu arrependimento! Porque assim evitarás tu o pecado voluntário.

5 Há homem que, estando calado, é tido por sábio: E há homem que se faz odioso por ser descomedido no falar.

6 Há homem que se cala não tendo senso para falar: E há homem que se cala sabendo para isso o tempo oportuno.

7 O homem sábio estará em silêncio até um certo tempo: Mas o leviano, e o imprudente não observarão o tempo.

8 Aquele que fala muito, ofenderá a sua alma: E aquele que arroga a si o poder injustamente, será aborrecido.

9 Às vezes sucede bem nos males ao homem que vive sem regra, porém o que ele inventa vem a ceder em sua própria ruína.

10 Há dom, que não é útil: E há dom, que é dobradamente recompensado.

11 Muitas vezes há perda pelo alcance da glória: E homem há que levantará cabeça pela sua humilhação.

12 Há homem que comprará muitas coisas por um baixo preço, mas tornando depois a dar por elas sete vezes em dobro.

13 O sábio faz-se amável pelas suas palavras: Mas as graças dos insensatos entornar-se-ão.

14 O donativo do insensato não te será útil: Porque ele tem sete olhos com que te mira:

15 Ele dará pouco, e lançá-lo-á muitas vezes em rosto: E quando a sua boca se abre é ela um ateado incêndio.

16 Um empresta hoje, e torna-o a pedir amanhã: Este tal homem faz-se odioso.

17 O insensato não terá amigo, e o bem que ele faz não será agradecido:

18 Porque os que lhe comem o pão, o enganam com as suas palavras. Quantas vezes não escarnecerão dele os homens, e em quão grande número?

19 Porque não soube distribuir com reto discernimento o que havia de reter: E deu semelhantemente o que não era para se guardar.

20 Aquele que se vale da língua para enganar, é na sua queda como um homem que cai sobre o pavimento: Assim a ruína dos maus virá de súbito.

21 O homem desengraçado será como um conto vão, repetido na boca de gente mal criada.

22 A parábola será mal recebida vindo da boca do insensato: Porque não a diz a seu tempo.

23 Homem há que se acha com embaraço para pecar em razão de lhe faltarem os meios, porém sentir-se-á estimulado no seu descanso.

24 Há homem que perderá a sua alma por um excesso de vergonha, e perdê-la-á em atenção de uma pessoa imprudente, mas a si mesmo se perderá pela acepção da tal pessoa.

25 Tal há que promete ao seu amigo por um pejo indiscreto, mas vem-no gratuitamente a lucrar por inimigo.

26 A mentira é no homem um opróbrio que muito o deslustra, e ela se achará incessantemente na boca da gente sem criação.

27 Melhor é um ladrão do que um homem que mente de contínuo, mas ambos terão por herança a perdição.

28 Os costumes dos homens mentirosos são sem honra, e a sua confusão anda com eles sempre de companhia.

29 O sábio a si mesmo conciliará a estimação pelas suas palavras, e o homem prudente agradará aos grandes.

30 Aquele que cultiva a sua terra, fará um alto monte dos seus frutos: E o que faz obras de justiça, será em pessoa exaltado: E o que agrada aos grandes, fugirá da iniquidade.

31 Os presentes e as dádivas cegam os olhos dos juízes, e na sua boca são como uma mordaça que os emudece, apartando as sentenças que deviam dar contra os culpados.

32 Suponha-se que a sabedoria se conserva escondida, e que o tesouro não está visível, que utilidade haverá em ambas estas coisas?

33 Melhor é aquele homem que encobre a sua insipiência, do que aqueles que escondem a sua sabedoria.

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