Bíblia Sagrada Livreby Jair Lima

Baruc 6

1 POR CAUSA dos pecados, que cometestes diante de Deus, vós sereis levados cativos a Babilônia por Nabucodonosor, rei dos babilônios.

2 Nestes termos, depois de haverdes entrado em Babilônia, estareis ali muitos anos, e largos tempos, até sete gerações: E depois disto vos tirarei dali em paz.

3 Mas agora vereis em Babilônia, que são levados aos ombros deuses de ouro, e de prata, e de pedra, e de madeira, metendo medo às gentes.

4 Vede pois não suceda que também vos torneis semelhantes no procedimento aos estrangeiros, e que temais estes deuses e vos deixeis possuir do seu temor.

5 Quando virdes pois por detrás, e diante deles a turba, que os adora, dizei em vossos corações: Tu, Senhor, é que deves ser adorado.

6 Porque o meu anjo está convosco: E eu mesmo terei cuidado das vossas almas.

7 Porque a língua deles polida pelo escultor, e eles dourados, e prateados são uns falsos representativos, que não podem falar.

8 E assim como se fazem adornos a uma donzela apaixonada por enfeites: Assim depois de fabricados eles se revestem com o ouro, que recebem.

9 Os deuses deles têm por certo coroas de ouro sobre as suas cabeças: Mas os sacerdotes os despojam do ouro, e da prata, e o gastam em seus próprios usos.

10 E ainda dão deste ouro às prostitutas e enfeitam as meretrizes: E depois de haverem tomado outra vez das meretrizes, adornam com ele os seus deuses.

11 Mas estes não se livram da ferrugem, nem da traça.

12 E depois de os trajarem de um vestido de púrpura, lhes limpam os rostos, por causa do pó que se levanta no lugar onde estão, que entre eles é muito.

13 Tem também um cetro na mão como homem, à maneira de um juiz de província, mas ele não mata a quem o ofende.

14 Tem também na mão espada, e cutelo, mas não se pode livrar a si mesmo da guerra, nem dos ladrões. Por onde seja-vos este um manifesto argumento de que não são deuses.

15 Portanto não os temais. Porque assim como uma vasilha, se se quebra, fica inútil ao homem, tais são também os deuses deles:

16 Postos eles numa casa, os seus olhos se enchem de pó feito levantar pelos pés dos que entram.

17 E assim como a algum que ofendeu ao rei se lhe fecham as portas: Ou como a um morto que foi levado ao sepulcro: Do mesmo modo seguram os sacerdotes as portas com fechaduras, e ferrolhos, para que não sejam despojados pelos ladrões.

18 Acendem-lhes lâmpadas, e na verdade muitas, das quais não podem ver nenhuma: Porque são como as vigas nas casas.

19 E dizem que as serpentes que saem na terra lhes lambem os corações, quando os roem a eles, e aos seus vestidos, e não no sentem.

20 Negras se tornam as suas caras com o fumo, que se faz na casa.

21 Sobre o seu corpo, e sobre a sua cabeça voam os mochos, e as andorinhas, e outras aves ainda do mesmo modo, até as gatas.

22 Daqui sabei que não são deuses: E assim não os temais.

23 Também o ouro que eles têm, é para o adorno. Sç alguém lhes não limpar a ferrugem, não reluzirão: Pois nem ainda quando os fundiam, o sentiam.

24 A todo o preço são comprados, e não há espírito algum neles.

25 Sem pés são levados sobre os ombros, mostrando aos homens a sua vileza. Sejam também confundidos os que os adoram.

26 Por cuja causa se eles caírem em terra, não se levantam por si mesmos: E se algum os puser direitos, não se terão por si mesmos, mas pôr-lhes-ão diante, como mortos, os donativos que lhes oferecerem.

27 Os seus sacerdotes vendem as oferendas deles, e fazem delas um mau uso: E assim mesmo as mulheres deles encetando-as, não dão disso coisa alguma nem ao enfermo, nem ao mendigo,

28 elas prenhes, e no seu estado de impureza tocam os sacrifícios deles. Assim que sabendo vós por estes princípios que não são deuses, não os temais.

29 Pois por que lhes chamam deuses? Porque as mulheres fazem oferendas a deuses de prata, e de ouro, e de madeira:

30 E nas suas casas estão assentados os sacerdotes, tendo as túnicas rasgadas, e as cabeças, e a barba rapada e as suas mesmas cabeças descobertas.

31 E rugem, fazendo alaridos diante dos seus deuses como na ceia de um morto.

32 Os sacerdotes lhes tiram os seus vestidos, e com eles vestem as suas mulheres, e a seus filhos.

33 Nem, se eles experimentam algum mau tratamento da parte de qualquer, ou algum obséquio, lhe poderão dar o pago: Nem podem pôr um rei, nem tirá-lo.

34 Nem tão pouco podem dar riquezas, nem retribuir o mal. Se algum lhes fizer um voto, e o não cumprir: Nem isto eles requerem.

35 Não livram a um homem da morte, nem defendem ao fraco do mais poderoso.

36 Não restituem a vista a um homem cego, não livrarão ao homem da sua necessidade.

37 Não se compadecerão da viúva, nem farão bem aos órfãos.

38 Os deuses deles são semelhantes às pedras do monte, sendo feitos de madeira, e de pedra, e de ouro, e de prata: Mas os que os adoram serão confundidos.

39 Como se pode pois ajuizar, ou dizer, que eles são deuses?

40 Porque ainda os mesmos caldeus os desonram: Os quais depois de terem ouvido que um mudo não pode falar, apresentam-no a Bei, pedindo-lhe que lhe dê fala:

41 Como se pudessem sentir os que não têm movimento, ainda eles mesmos, quando se desenganarem, os desampararão: Visto não terem os mesmos deuses deles sentimento algum.

42 Também se veem umas mulheres cingidas de cordas, que estão assentadas nos caminhos, queimando caroços de azeitona.

43 E quando alguma delas, atraída por algum passageiro, dormir com ele, lança em rosto à sua vizinha que ela não fora julgada digna de honra como ela, nem a sua corda se quebrara.

44 E todas as coisas que se fazem para eles, são falsas. Como se pode logo ajuizar, ou dizer que eles são deuses?

45 Por estatuários pois, e ourives do ouro foram eles feitos. Nenhuma outra coisa serão, senão aquilo que querem que sejam os sacerdotes.

46 Também os mesmos artífices que as fazem, não são de muita duração. Pois como podem ser deuses aquelas coisas, que por eles mesmos foram fabricadas?

47 E não deixaram outra coisa que engano, e opróbrio aos que hão de vir depois.

48 Porque depois de lhes sobrevir alguma guerra, e quaisquer males: Consultam os sacerdotes entre si, onde se hão de esconder com eles.

49 Como deve logo crer-se que são deuses os que nem se podem livrar da guerra, nem defender-se das calamidades?

50 Porque como eles sejam de madeiros dourados, e prateados, vir-se-á a saber algum dia por todas as nações e reis, que são falsos: O que faz ver claramente que não são deuses, senão obras de mãos de homens, e não há neles operação alguma de Deus.

51 De onde se pode saber logo que não são deuses, senão obras de mãos de homens, e que não há virtude alguma de Deus neles?

52 Não põem rei a província alguma, nem darão chuva aos homens.

53 Assim mesmo não decidirão pleito, nem livrarão as províncias da injúria: Porque nada podem, como as gralhas que voam entre o céu e a terra.

54 Pois se se atear fogo na casa dos deuses de madeira, de prata, e de ouro, os seus sacerdotes por certo fugirão, e se livrarão: Mas eles, como as vigas no meio das chamas, se queimarão.

55 Mas nem a um rei, nem numa guerra farão resistência. Como se pode logo ajuizar, ou admitir que são deuses?

56 Não se poderão defender dos ladrões, nem dos ladrões.

57 os despojarão do ouro, e da prata, e dos vestidos de que estão cobertos, e se irão com ele, e não se poderão valer a si mesmos.

58 De tal sorte que melhor é ser um rei, que ostenta as suas forças: Ou uma vasilha útil em uma casa, com a qual se contente o que a possui: Ou uma porta em qualquer casa, que guarda o que há dentro dela, que ser um destes falsos deuses.

59 O sol por certo, e a lua, e as estrelas, sendo resplandecentes, e destinadas para vários usos, obedecem.

60 Da mesma sorte o relâmpago também quando fuzilar, se deixa ver: E da mesma maneira até o vento que assopra por toda a região.

61 E as nuvens, quando por Deus lhes for mandado que corram todo o mundo, cumprem o que lhes é mandado.

62 O fogo também que é enviado de cima, para que consuma os montes, e os bosques, faz o que se lhe tem ordenado. Mas estes não se assemelham a nenhuma coisa daquelas, nem em parecer, nem em poder.

63 Por onde não se deve ajuizar, nem dizer, que eles são deuses, quando não podem nem fazer justiça, nem valer em coisa alguma aos homens.

64 Assim que sabendo vós que não são deuses, em consequência disto não os temais.

65 Porque eles não amaldiçoarão, nem abençoarão os reis.

66 Nem tão pouco mostram no céu às gentes os sinais dos tempos, nem luzirão como o sol, nem alumiarão como a lua.

67 Melhores do que eles são os animais, que podem refugiar-se debaixo de coberta, e servir a si de proveito.

68 Assim que é para nós manifesto, que de nenhuma maneira são deuses: Por cujo motivo não os temais.

69 Porque assim como o espantalho em um meloal o não guarda: Por este modo são os deuses deles de madeira, e de prata, e dourados.

70 Do mesmo modo são também como o espinheiro branco em um jardim, sobre o qual vêm pousar todas as aves. Da mesma sorte se assemelham até a um morto lançado em trevas os deuses deles de madeira, e dourados, e prateados:

71 Também pela púrpura e escarlata, que a traça rói em cima deles, sabereis finalmente que não são deuses. Eles mesmos nesta conformidade vêm por último a ser comidos, e serão o opróbrio em toda uma região.

72 Melhor é o homem justo, que não tem ídolos: Porque estará longe de opróbrios.

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