Bíblia Sagrada Livreby Jair Lima

Jó 21

1 Então Jó respondeu:

2 Ouvi atentamente minhas palavras, e seja esta a consolação que me ofereceis.

3 Suportai-me, e eu falarei; depois que eu tiver falado, podereis zombar.

4 Acaso minha queixa se dirige a algum homem? Por que meu espírito não estaria impaciente?

5 Olhai para mim e ficai pasmos; ponde a mão sobre a boca.

6 Quando me lembro disso, fico perturbado, e minha carne é tomada de horror.

7 Por que os ímpios vivem, envelhecem e ainda se fortalecem em poder?

8 Seus descendentes se estabelecem com eles diante de sua face, e seus filhos, diante de seus olhos.

9 Suas casas estão em paz, livres de temor, e a vara de Deus não está sobre eles.

10 Seu touro gera sem falhar; sua vaca dá cria e não aborta.

11 Mandam seus pequenos para fora como um rebanho, e seus filhos saltam de alegria.

12 Cantam ao som do tamborim e da harpa e se alegram ao som da flauta.

13 Passam seus dias em prosperidade e num momento descem ao mundo dos mortos.

14 Contudo dizem a Deus: Afasta-te de nós, pois não desejamos conhecer teus caminhos.

15 Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? Que proveito teremos se lhe dirigirmos nossas orações?

16 Eis que sua prosperidade não está em suas próprias mãos. Longe de mim o conselho dos ímpios!

17 Quantas vezes se apaga a lâmpada dos ímpios? Quantas vezes lhes sobrevém a calamidade e Deus lhes reparte dores em sua ira?

18 Quantas vezes são como palha diante do vento e como a palha miúda arrebatada pela tempestade?

19 Dizeis: Deus guarda a punição do ímpio para seus filhos. Que ele mesmo lhe dê a paga, para que a reconheça.

20 Que seus próprios olhos vejam sua ruína, e que ele beba do furor do Todo-Poderoso.

21 Pois que prazer terá em sua casa depois de si, quando o número de seus meses for cortado?

22 Acaso alguém ensinará conhecimento a Deus, visto que ele julga os que estão nas alturas?

23 Um morre em pleno vigor, inteiramente tranquilo e sossegado.

24 Seus baldes estão cheios de leite, e a medula de seus ossos permanece úmida.

25 Outro morre em amargura de alma, sem jamais ter provado o bem.

26 Juntos jazem no pó, e os vermes os cobrem.

27 Eis que conheço vossos pensamentos e os planos com que me tratais injustamente.

28 Pois perguntais: Onde está a casa do príncipe? Onde está a tenda em que moravam os ímpios?

29 Não perguntastes aos que passam pelo caminho? Não reconheceis seus testemunhos,

30 de que o mau é poupado no dia da calamidade e levado para longe no dia da ira?

31 Quem lhe declarará seu caminho diante de sua face? Quem lhe dará a paga pelo que fez?

32 Finalmente é levado à sepultura, e alguém vigia seu túmulo.

33 Os torrões do vale lhe são doces. Todos os homens o seguem, assim como incontáveis foram antes dele.

34 Como, pois, me consolais com vaidade, visto que em vossas respostas só resta falsidade?

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